lusitanos-leao
Dec 23 2009, 12:42
City atento a Carriço
CENTRAL FIGURA EM LISTA DE POSSÍVEIS REFORÇOS
O Manchester City está a seguir atentamente a evolução de Daniel Carriço na equipa principal do Sporting. O clube inglês enviou scouters a vários jogos desta época e os relatórios sobre o central têm sido constantemente atualizados.
Agora, com a reabertura do mercado à porta, o nome de Carriço figura numa extensa lista de potenciais reforços para o plantel orientado por Roberto Mancini. De acordo com uma notícia avançada ontem pelo "Daily Mail", o defesa de 21 anos faz parte de um quarteto de jogadores de futuro referenciados como possíveis alvos dos citizens para reforçar a defesa. A par do número 3 leonino, estão o dinamarquês Kjaer (Palermo), o argentino Ansaldi (Rubin Kazan) e o espanhol Azpilicueta (Osasuna).
A aproximação a Carriço poderá ser facilitada pelo facto de o central ser representado pelo israelita Pini Zahavi, um agente com fortes ligações não apenas ao Manchester City mas aos principais emblemas da Liga inglesa.
Daniel Carriço tem contrato com o Sporting até 2013 (renovou em janeiro de 2009) e uma cláusula de rescisão de 20 milhões de euros. Ameio da época, o Sporting não deverá estar disposto a negociar. A menos que a proposta seja irrecusável...
Record.pt
Leãozinho™
Jan 2 2010, 23:48
Num discurso claro, equilibrado, quase tirado do mesmo molde com que alinha em campo, o camisola 3 dos leões fala de um título que não acha impossível, de todas as frentes em que os leões se mantêm, de Bento, Carvalhal, Sá Pinto, reforços e, claro, da sua própria ambição e fome de títulos, que é para matar já em 2010. Tudo num discurso que começa na Academia, passa por Alvalade, segue pela Malveira e chega até à África do Sul
Estamos a virar de ano e o regresso à competição aproxima-se. A vitória na Figueira da Foz ajudou-vos a ultrapassar o pesadelo que tem sido a prestação do Sporting na Liga e a encarar com optimismo o futuro?
Foi uma vitória moralizadora, pois tratava-se do último jogo no campeonato antes da transição para o novo ano e foi muito, muito importante vencer. Era fundamental para nós. Ainda para mais, havia clássico entre Benfica e FC Porto nessa jornada e era crucial ganharmos. A distância que nos separava do topo não podia aumentar mais.
Havia um sentimento especial, isto é, a tensão aumentou nos momentos que antecederam essa partida?
Não podíamos falhar. Era um jogo absolutamente determinante para o Sporting e entrámos bem focados na nossa missão nesse jogo. Felizmente, cumprimos. Marcámos na primeira parte e isso acabou por ser o suficiente para ganharmos o jogo.
Que explicação encontra para que o Sporting venha fazendo um campeonato tão abaixo das expectativas?
De facto, isso não é fácil de explicar. É óbvio que não esperávamos, nem tão-pouco queríamos, averbar os resultados que averbámos. Ninguém mais do que nós quer ver o Sporting a ganhar, e instalou-se um sentimento de muita frustração. Mas tudo isso é passado. Já lá vai! Agora vem aí um novo ano e temos todas as aspirações do mundo, ou seja, a vontade de vencer provas!
Quais são as principais fontes de esperança que encontram para encararem a segunda metade da temporada?
Primeiro temos de ter bem presente que disputamos quatro frentes e podemos ganhar títulos. No campeonato vamos ganhar o mais possível e depois ver o que acontece. Nas outras competições vai ser entrar para ganhar.
Mas ainda tem esperanças que aconteça um milagre em termos de campeonato?
Estamos com alguma desvantagem em relação aos outros candidatos, mas esse milagre de que fala não é impossível. Enquanto matematicamente houver horizontes, continuaremos a acreditar. Vamos entrar em cada jogo com o objectivo de vencer. Ter crença é fundamental.
Jorge Jesus, técnico do Benfica, já não conta com o Sporting para a Liga. Como reage quando ouve comentários que dão a vossa equipa como liquidada na principal prova nacional?
As pessoas têm legitimidade de o dizer porque a nossa desvantagem é grande. Enquanto jogador e profissional deste clube vou acreditar até ao fim que é possível e sinceramente, acredito que podemos dar a volta. Há muitos jogos pela frente e, se entrarmos numa onda de vitória, creio que podemos ir diminuindo a vantagem e ultrapassar os adversários.
Terá faltado uma vitória sobre o Benfica para dar um novo fôlego à equipa?
Foi um pouco injusto. Fizemos um bom jogo, um pouco contra o que as pessoas esperavam. Todos apostavam no Benfica e nós ultrapassámos as expectativas. Não as nossas, pois sabemos do nosso valor, mas estivemos muito bem no jogo e merecíamos a vitória.
Vem aí o regresso à competição, diante do Braga, para a Taça da Liga...
Temos umas contas a ajustar. Já nos venceu esta época. Não há sentimento de vingança, mas queremos vencer. É importante para nós. É para a Taça da Liga, uma competição importante para nós.
Surpreende-o ver o vosso próximo adversário na liderança da Liga?
O Braga vem demonstrando boa organização desde há uns anos a esta parte. Tem uma boa equipa e este ano vem a confirmar-se a sua boa fase. Mas no próximo jogo, mesmo não contando para o campeonato, vai ser complicado para eles. Queremos muito ganhar, como sempre.
Mas é inevitável falar-se hoje de um Braga candidato ao título?
Sim. Estamos a um jogo para terminar a primeira volta e se eles estão em primeiro, devem ter essa aspiração.
Além do campeonato, o Sporting está em três frentes. Estabelece alguma ordem de importância?
São três taças que queremos vencer. Na Liga Europa, vamos tentar chegar o mais longe possível. O Everton vai ser complicado. É uma equipa inglesa, portanto forte. Quanto às outras competições, a Taça de Portugal foi ganha duas vezes pelo Sporting nos últimos três anos e queremos voltar a ganhá-la. Já na Taça da Liga fomos às duas primeiras finais e perdemo-las. Na do ano passado... é melhor nem falar disso. Esperemos que este ano seja diferente.
Mas fala só pelo sentimento de fazer esquecer a polémica final com o Benfica na época passada ou dá à Taça da Liga o mesmo valor dado a outras provas?
É uma competição recente, mas que nós encaramos com a mesma seriedade com que abordamos as outras. O Sporting quando entra em campo é sempre para vencer, seja qual for a prova. É para isso que somos pagos e temos de corresponder da melhor maneira.
A má época do Sporting já causou os danos que sabemos, nomeadamente com a troca de treinador. Como viveu esse episódio?
É sempre um momento infeliz ver a saída de um técnico. Fomos todos responsáveis por isso, todos temos a nossa quota parte de responsabilidade. Agora entrámos num novo ciclo, com um novo treinador. Vem aí um novo ano e, como já disse, as aspirações são as mais altas possíveis.
Paulo Bento vai ficar como uma referência para si?
Claro que sim. Apostou em mim, tenho de lhe agradecer por isso. É óbvio que fiz o meu trabalho, mas houve muita responsabilidade da sua parte.
"Carvalhal é um bom treinador, tenho a certeza que vai dar certo"
Como têm sido os primeiros tempos de trabalho com Carlos Carvalhal?
É um bom treinador, estamos a gostar dos seus métodos. Tem tudo para dar certo aqui no Sporting.
O novo treinador tem apresentado novas soluções a nível táctico. Podem surgir aí coisas boas. Sporting mais variado tacticamente?
Cada treinador tem a sua ideologia, a sua própria maneira de olhar para o jogo e é natural que surjam agora novas soluções. Tenho a certeza que vai dar tudo certo.
"Sá Pinto é um líder"
Como tem sido a relação com o novo director para o futebol, Sá Pinto?
Estamos ainda numa fase de adaptação, mas este primeiro período tem sido positivo. É um líder, está sempre muito próximo. É uma excelente pessoa.
Ainda lhe sente algum tique de jogador?
Não. Ele é alguém que sente muito o clube e faz-nos sempre falta ter alguém presente, bem junto dos jogadores. É sempre uma referência para nós.
"Somos um grupo de amigos"
Uma eventual (e propalada) tensão dentro do próprio grupo de trabalho, entre jogadores, está longe de corresponder à verdade. "Quando as coisas não correm bem, começa-se a especular sobre muita coisa. Isso não era verdade. O nosso grupo é forte, somos bons amigos dentro do balneário e nada de anormal se passou", garante.
É olhado como um atleta-modelo da Academia, onde se formou. Na primeira época de sénior passou por Olhão e Chipre e agora vai na segunda temporada ao mais alto nível no Sporting, onde soube agarrar a titularidade. Onde quer chegar agora o Daniel Carriço?
Só posso fazer um balanço muito positivo do meu percurso. Entrei na equipa e praticamente não saí mais, jogando com muita regularidade. O que me falta é evoluir. Sou jovem e tenho muito a aprender. É assim que eu encaro a vida, como uma constante aprendizagem. Trabalho arduamente no dia-a-dia para melhorar em todos os aspectos. Só sei ser assim.
Quem são os seus principais professores nesta fase de aprendizagem de que fala?
Tanto o meu anterior como o actual técnico, os meus companheiros mais experientes, acabam sempre por nos dar informação importante. Isso é fulcral na evolução.
Antes de integrar o plantel principal, fazia bastantes menções a Polga, de quem hoje é parceiro...
Fazia, sem dúvida, mas não só com ele. Com os outros centrais também, seja Tonel ou Caneira. Todos eles me ajudaram e ajudam muito, pois são mais experientes. Cresço com eles. O jogador com que fiz mais jogos foi com Polga, damo-nos bem, temos óptima ligação, tal como com o Tonel.
Todos lhe destacam a pinta de líder evidenciada em campo. É caso para dizer que o Sporting tem novo "xerife" na defesa?
Não, nada disso! Sou demasiado jovem... Sou mais um que faz parte da defesa, da equipa e dou o meu melhor para ajudar. É verdade que fui capitão nas várias selecções jovens a que pertenci, destacaram-me para tal, se calhar vêem-me como um líder.
Mas o Daniel impressionou não só pelo rendimento mas também pela naturalidade e frieza em campo quando transitou para o mais alto nível...
Sim, reconheço-o. Tentar manter a frieza e a calma são características minhas. A minha personalidade é mesmo assim.
Mas esperava chegar, ver e vencer?
Sempre tive confiança em mim próprio. Se eu não a tiver, quem a terá por mim? Tinha e tenho plena consciência do meu desenvolvimento. O que fiz foi preparar-me bem física e mentalmente para quando surgisse a minha oportunidade no Sporting. Ela acabou por surgir, correu tudo bem... e agora estamos aí na luta! [risos]
Para já, o Sporting reforçou-se com João Pereira e Sinama-Pongolle. Estas contratações dão-lhe mais confiança?
São dois jogadores que podem ajudar-nos. São reforços importantes e um jogador quando ingressa no Sporting tem de ter a noção de quem vem para um clube vencedor, um clube grande. Têm selo de qualidade e foram bem acolhidos. O nosso grupo recebe bem toda a gente.
É público que Rodríguez é um jogador que interessa e joga na sua posição. Que opinião tem dele?
Para já, isso são só hipóteses. Só falo de quem cá está.
Apesar de contar só 21 anos, Carriço já se afirmou em definitivo no eixo da defesa dos leões e, como tal, é já seguido pelos principais emblemas europeus. A saída, porém, (ainda) não entra no seu horizonte. "Já vivi e joguei no estrangeiro, em Chipre, mas num contexto completamente diferente. Agora estou a jogar no Sporting e tenho contrato até 2013. A obsessão por sair nem me passa pela cabeça. Concentro-me totalmente no que estou a fazer. No futuro, se a oportunidade surgir, analisarei, mas estou a 100% aqui. Sou jogador do Sporting!" As preferências, porém, não são escondidas. "Há ligas muito atractivas como Inglaterra, Espanha e Itália, mas não ando a sonhar com isso.
"Há ideia errada sobre Caicedo"
Felipe Caicedo chegou rotulado de reforço de peso mas ainda não marcou, desapontando os adeptos, mas Carriço atesta da qualidade do avançado equatoriano. "Atenção, ele é um excelente avançado. Que eu saiba, é jogador do Sporting e se voltar a ser utilizado, vai mostrar que há um ideia incorrecta em relação a ele. Espero que o demonstre." Já Angulo foi, definitivamente, uma contratação falhada, que entristeceu o grupo de trabalho. Daniel Carriço aproveita a entrevista a O JOGO para endereçar as maiores felicidades ao espanhol. "Ele veio para o Sporting para sentir-se útil. Estava na fase mais terminal da carreira mas ao ver que não estava a ser utilizado decidiu colocar um ponto final. Sinceramente, foi uma tristeza para nós. Ele tinha condições para ajudar, mas foi uma decisão sua. Que seja feliz no seu futuro. Desejo-lhe a maior sorte, pois foi um bom companheiro".
Olhando para a sua trajectória, é fácil de calcular que a Selecção Nacional seja um grande desejo seu...
Claro que sim. Qualquer jogador ambiciona alinhar na principal Selecção, embora esteja a jogar com assiduidade nos sub-21. Quando vai aparecer a oportunidade nos AA, eu não sei. Gostava que acontecesse.
Espera ainda apanhar o avião para a África do Sul e jogar no Mundial?
Vou fazer o meu trabalho, mas não cabe a mim responder a essa questão.
Mas não tem esperanças?
Face ao que venho a desenvolver, tenho. Qualquer jogador titular no Sporting, num outro "grande" ou até mesmo no Braga, pode legitimamente pensar que pode ser convocado para a Selecção Nacional.
Quer seja chamado ou fique a ver o campeonato do mundo pela televisão, acha que Portugal pode aspirar a uma boa campanha na prova, depois de uma fase de qualificação atribulada?
Portugal tem excelente equipa e acho que temos condições para obter sucesso. No entanto, acho o Mundial uma competição com características próprias. Vai ser complicado, mais pelo difícil grupo que nos espera, mas acredito que vamos passar e com distinção.
Tem currículo pelas jovens equipas das Quinas, que capitaneou. Gosta do espírito em torno das selecções? Para muitos, foi esse o grande trabalho de Scolari...
Sim, gosto. Temos gente muito competente nas selecções e o melhor que Scolari fez na sua passagem foi unir as pessoas. Durante e a partir do Euro'2004, passámos a ver bandeiras nas janelas, deixou de haver clubismo em volta da Selecção. Melhorou muito e temos de agraceder a Scolari.
Carlos Queiroz está a fazer um trabalho de transição. Como o vem acompanhando?
Tem feito um bom trabalho, apesar das complicações do apuramento. É alguém cujo currículo fala por si e fez história nas selecções jovens.
O seleccionador nacional já lhe telefonou?
Não.
O distanciamento entre sócios e adeptos leoninos da equipa é uma evidência comprovada pelos números referentes a assistências em Alvalade. Isto representa um desconsolo para o grupo de trabalho?
Somos nós que temos de dar a resposta, trazendo os adeptos para junto de nós. Mesmo se jogarmos bem e não ganharmos, é impossível ter os adeptos presentes no estádio. Agora espero é que nos próximos jogos o Sporting vença e o estádio volte a ficar cheio. Temos de remar todos na mesma direcção para o nosso trajecto ser o melhor possível.
Mas admite que tem havido défice nesse aspecto? Os sportinguistas eram conhecidos pela sua fidelidade incondicional em alturas de absoluta ausência de títulos, o que hoje não acontece...
Claro que nós gostamos de jogar com um estádio cheio, ainda para mais na nossa casa, mas quando as coisas correm mal isto acontece. É natural, mas temos de dar a volta a isso. Os adeptos estão no seu direito de protestar, mas acreditamos no amor que têm ao clube e que tudo voltará ao normal, sabendo sempre que isso depende muito de nós.
"Eu era um leão fanático"
Sportinguista assumido, Daniel Carriço confessa que aprendeu a moderar os "ataques leoninos" não só com a idade, mas com a profissão que abraçou, para felicidade sua, no clube que é o de todos lá em casa. "Sou do Sporting desde pequeno. Venho de uma família de sportinguistas e não havia volta a dar. Era um leão fanático em pequeno, mas agora tenho de separar as coisas. Uma coisa é o adepto, outra é o profissional e eu distingo essas duas condições sem problemas", relembra o defesa nascido em Cascais, mas criado na Malveira, rejeitando com veemência o rótulo de "menino da Linha". A ligação ao Sporting nunca a perdeu, mesmo quando jogou o primeiro semestre de 2008 no AEL Limassol. "Quando estava no Chipre, tinha televisão portuguesa e não perdia um jogo do Sporting. Como tinha amigos da formação como o Pereirinha, Rui Patrício, Miguel Veloso e Adrien já integrados no plantel principal, estava sempre a falar ao telefone com eles. Era uma forma de me manter próximo."
"Relvado dificulta o nosso jogo"
Muito tem sido dito sobre o pobre estado do relvado de Alvalade e o central reconhece que esse foi um factor que agudizou as más exibições. "Todos sabemos que não está nas melhores condições, mas o Sporting vai resolver isso da melhor maneira, acredito. Não é uma desculpa para a nossa produção até aqui: é um facto que o terreno também tem dificultado o nosso jogo. As outras equipas quando jogam em Alvalade, normalmente fazem-no defensivamente e a circulação de bola, com o relvado assim, fica mais lenta. Temos de conviver com isso, mas não será por causa de estados do relvado que podemos deixar de ganhar em Alvalade."
"Quero muitos mais prémios Stromp"
Carriço recebeu recentemente mais um prémio Stromp, a mais alta distinção atribuída a personalidades ligadas ao Sporting e, assegura, o sentimento voltou a ser especial, mas não quer ficar por aqui. "Foi o segundo que recebi, mas este tem outra dimensão, pois fui eleito 'Revelação'. Fiquei extremamente feliz quando recebi a notícia e espero receber muitos mais. Também já recebi o prémio 'Rugido de Leão', que também é importante."