Estado e "pintismo"
Está tudo errado quando se confunde justiça com vingança(s)
Quem não se revê no actual sistema de organização do futebol português, mais coisa menos coisa aquele que vem (des)regulando o universo da bola indígena desde sempre, agora a ameaçar ruir por força do menor poder que as Associações Distritais vão ter à luz do novo Regime Jurídico das Federações, talvez em condições de ser aprovado, outonalmente, agora que já não há mais “Pequins” para acompanhar, usa – há décadas – o apelo (dialéctico) da mudança de mentalidades, como se as mentalidades se alterassem com um estalar de dedos. Não se alteram.
O futebol português já se livrou de alguns “monstros sagrados”, todos fiéis seguidores de um caciquismo herdado dos tempos de Salazar. Mas ainda há muito caciquismo na bola lusa e defensores de inequívocas mas dissimuladas inconstitucionalidades...
Benfica e Sporting dominaram, até meados da década de 80, o panorama futebolístico nacional , numa altura em que “o País era Lisboa e o resto... paisagem”. Cultivou-se o “centralismo” com graves consequência para o desenvolvimento de Portugal. O FC Porto já dera um sinal de inconformismo na segunda metade da década de 70 quando foi bicampeão nacional, mas o primeiro sintoma de crescimento sustentado concretizou-se em Basileia, onde perdeu frente à Juventus (de... Platini) na final da extinta Taça das Taças (1984).
A demolição do edifício do centralismo (primeiro, nada democrático e depois em estádio de liberalização) passou a ser observada por Pinto da Costa como um objectivo. “Atravessar a ponte” deixou de ser uma manifestação de subalternidade para se transformar num “grito de guerra”. E revolta. A instrumentalização da “guerra” Norte-Sul nunca foi um desígnio dos lisboetas. Mudar o “centro das decisões” para o Porto, uma estratégia.
É tão lamentável ignorar o papel fracturante de Pinto da Costa na “coesão nacional” como utilizar todo o tipo de artimanhas para o “fuzilar”.
Há muitos pontos em comum entre as deformações do Estado e as malformaçõesdo “pintismo”.
Está tudo errado quando se confunde justiça com vingança(s).
Autor: RUI SANTOS
Data: Segunda-feira, 22 Setembro de 2008 - 18:04