Vou deixar aqui uma carta aberta de um portista para todos os nao portistas...

podem envia la a coleguas lampioes o largatos. E pour seu qui savent pas lire le portugais qu'ils l'aprennent
Caro não-portista,
Esta semana, fui obrigado a lembrar-me e a pensar em ti. Aliás, foi em meio a recentes e
exuberantes festejos, nos quais tive oportunidade de participar, que isso aconteceu.
De repente, reparei que o nosso país voltou à normalidade, que o tem caracterizado de forma
concreta ao longo das últimas décadas da sua existência. E tudo, por causa de um facto único
que influenciou todos os outros: o Porto é de novo campeão!
Confesso que sou um privilegiado: sou jovem, e no entanto já assisti a tudo aquilo que o
desporto rei me poderia dar a fim de alegrar os meus dias. Senão, repara só:
a) Vi o meu clube ser inúmeras vezes Campeão Nacional, entre as quais cinco
consecutivas, o que mais nenhum outro até hoje conseguiu;
B) Vi o meu clube ganhar várias Taças de Portugal, com a vantagem de no trajecto de
volta a casa sermos obrigados a passar em frente ao domicílio dos dois (ao que dizem)
gigantes da capital, com o respectivo ?caneco? debaixo do braço;
c) Vi o meu clube ganhar mais de metade das Supertaças deste país, incluindo uma
sacada em pleno estádio do clube representado por uma famosa ave, com o histórico
resultado de 5-0;
d) Vi o meu clube duas vezes Campeão Europeu (reforço, vi mesmo, assisti ao jogo em
televisor a cores; não foi preciso os meus avós me contarem como era há 40 anos
atrás quando se sabiam os resultados? pela rádio, e as imagens chegavam alguns
dias depois? a preto e branco);
e) Vi o meu clube ganhar a única Taça UEFA do historial português (e nunca assisti ao
meu clube perdê-la na própria casa contra um clube de segunda linha europeia, de um
país que nunca tinha ganho nenhuma prova internacional antes);
f) Vi o meu clube ganhar uma Supertaça Europeia, outro título que mais nenhum outro
português tem;
g) Vi o meu clube ser duas vezes Campeão do Mundo, ou vencedor da Taça
Intercontinental, como queiras chamá-la. (Sim, porque há mentes desdenhosas,
imagina só, que quando o Real Madrid ou o AC Milan vencem esta competição, dizem
que eles são Campeões do Mundo; quando é o FC Porto, chama-lhe Taça Toyota? )
h) Assisti à carreira completa do maior campeão da história do futebol mundial: Vítor Baía,
que com 28 títulos (contagem não encerrada) é o jogador mais titulado de sempre
Ufa, até cansa, não é? E mais poderia acrescentar?
Mas, como se não bastasse, eis que a única coisa (julgava eu) que me faltava ver, me foi
proporcionada no ano passado!
Como disse, sou jovem. Daí que, eu nunca tinha visto como se fabricava um campeão à moda
do Antigo Regime! Mas até isso me foi facultado na época transacta! Realmente, agora sim: já
tinha visto tudo!
Qual não é a minha surpresa, eis que novo e original cenário se depara perante mim, e me
obriga a dar o dito pelo não dito: este ano tivemos como Campeão o FC Porto, num
campeonato, ainda assim, disputado à moda do Antigo Regime! Esta agora, é que ninguém
contava?
É só olhar para trás e começar a contar os favorecimentos, alguns dos quais dignos de um
compêndio ditatorial, que o clube dominante no tempo do fascismo, conseguiu gozar com total
impunidade!
Foi um campeonato giro? Nós, FC Porto, com alguma irregularidade inicial, fruto de um
treinador novo e novos e inovadores métodos, ainda tivemos alguma dificuldade em
determinados aspectos (logo exponenciados à potência máxima pela imprensa desportiva lisboeta). Mas logo que chegamos ao nosso lugar habitual, de lá mais não saímos, apesar dos mais ferozes ataques que fomos alvo (não me refiro às outras 17 equipas)?
O clube de vermelho, esse é que me deu grandes lições. Melhor dizendo, as forças extra
quatro linhas que os apoiam, mostraram-me como foi possível eles terem há muitos, muitos
anos, sequências de oito ou nove vitórias em cada dez campeonatos.
Acho injusto que o presidente desse clube, mais o portista que é o seu braço direito, convidem
todos os presidentes (excepto dois) a acompanhar o seu clube nas deslocações ao
estrangeiro. Se houvesse coerência e verdadeiro reconhecimento, convidariam em primeiro
lugar o presidente da Comissão de Arbitragem e os dirigentes da Liga Portuguesa que tão
altruística e empenhadamente se desdobram em tentativas de empurrar o seu clube mais para
cima na tabela?
Por falar em competições europeias, pude comprovar este ano o que a psicologia explica como
comportamento de massas: quando há um líder forte e reconhecido, todos lhes seguem as
pisadas, ainda que isso os leve a um precipício. Refiro-me à forma admirável e de indiscutível
mérito, como a imprensa escrita e não só, conseguiu convencer os seis milhões (perdão se já
está ratificada a nova contagem que aponta para 14 milhões), de que era possível vencer a
UEFA Champions League! Talvez aqui já seja mais do campo da psiquiatria, mas não sou um
especialista para o afirmar?
Isto é particularmente triste e duro, porque bastam 90 minutos para derreter e provar como
irreais as aspirações e sonhos durante semanas vomitados nas primeiras páginas dos jornais,
como que tentando fazer valer as suas vontades pela força da exagerada repetição.
O outro clube, o segundo na hierarquia de preferências, lá foi seguindo o seu caminho.
Caminho este, na maior parte das vezes feito em direcção ás mãos e braços dos adversários,
mas apenas quando estes já se encontravam dentro da respectiva área de rigor, ou no mínimo,
perto dela. E assim, de penalty em penalty, ou de livre em livre, lá foram marcando o golinho
que lhes ia dando pontos (a excepção a esta regra foi aquela bola que o guarda-redes do Sr.
Scolari defendeu um metro dentro da baliza, contra o U. Leiria, sem que se tenha assinalado o
respectivo golo).
Ha ha! Aqui está algo que não foi surpresa para mim! E porquê? Porque há uns anos atrás já
tinha visto este filme: num ano em que venceram o campeonato, o (antes nosso e depois
deles) Super Mário Jardel marcou 42 golos, 17 dos quais de penalty! Por isso, a este método já
tinha assistido antes, com a diferença de não serem as mãos na bola, mas sim as actuações
esplendorosas do inigualável João Vieira Pinto (único grande jogador do futebol português que
tem mais expulsões do que títulos)...
Voltando a este campeonato e ao assunto anterior, vemos que o problema desta técnica
leonina foi desnudado quando o futuro campeão lá foi jogar: como apenas por uma única vez
consentimos que eles se aproximassem da nossa baliza, não deu para pôr em prática este
estratagema. Aliás, a prova de que esta maneira de actuar foi e está exaustivamente
elaborada, é que no único lance em que, neste caso o Moutinho, entra na área, atira logo a
bola contra as mãos do nosso jogador que estava mais perto. Felizmente, para nós, que era o
Helton, e aí era dar demasiado nas vistas marcar o penalty da praxe?
Devemos nós, portistas, dar o braço a torcer num aspecto: este Estádio de Alvalade XXI, ainda
que renovado mantém para nós o mesmo simbolismo de sempre, pois continua a ser para nós
o estádio mítico onde, a seguir ao nosso próprio, mais títulos ganhamos (hábito de já remonta
aos idos anos 90).
E pronto, como após a nossa vitória lá, o campeonato ficou decidido, não houve mais a
urgência de penaltizitos e/ou livrezitos. Resultado: dois jogos consecutivos em branco.
Mas, para ser justo, devo confessar que agora a caça virou-se contra o caçador. Eu explico: já
o Braga começou a ser prejudicado quando começou a morder os calcanhares ao clube que veste de vermelho, ao mesmo tempo que estes continuavam a sua epopeia de tremendos
benefícios; agora, amigos de verde, são vocês a ameaça à equipa de vermelho?
Lamento esta intrusão, mas não farei mais comentários sobre o campeonato da Segunda
Circular.
Por aqui me fico, até porque ainda tenho de me preparar para mais uma final, onde espero ver
mais uma vez o azul e branco a vencer. Isto é o que toda a gente acredita que irá acontecer,
como é normal.
Uma última nota. O trabalho do Primeiro-Ministro Eng.º José Sócrates complicou-se muito
neste últimos dias. À semelhança dos últimos dez anos, o país vai voltar a regredir. Milhões de
trabalhadores serão menos produtivos, haverá mais despesas em medicamentos
(especialmente Nimed e Prozac), haverá mais discussões nas famílias (principalmente nessas
que têm o tal bom chefe), e outras consequências por agora desconhecidas?
Mas quanto a isso, meus amigos, não há nada a fazer: porque tudo voltou à normalidade e o
PORTO É CAMPEÃO!
je sais c'est long