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Primeiro a notícia: a amostra do jogo do Twente frente ao Sp. Braga não augura nada de bom para o Sporting. Os holandeses mostraram ser uma equipa arrumada, competitiva, muito compacta, com princípios bem definidos e um futebol simples. Gostam de ter a bola, atacam em bloco e rapidamente colocam três jogadores em situação de finalização.
Estão longe, por isso, de ser um adversário acessível. Bem longe, na verdade. Nesta altura levam quatro semanas de trabalho, mas nem parece. Nota-se que há muito trabalho táctico de Steve McLaren, o antigo seleccionador inglês que criou uma equipa consistente. Não é particularmente talentosa, mas é muito forte no aspecto competitivo.
Esta noite até teve duas baixas de vulto, o avançado Blaise Kufo (melhor marcador da equipa) e o extremo Parker, que estão lesionados e não foram opção. Mas praticamente nem se notou a falta deles. Sobretudo não se notou porque este Twente é uma equipa que privilegia o colectivo, distribuindo-se bem no relvado e movimentando-se em bloco.
Brama, o patrão da equipa
A consistência do Twente começa no trinco, Brama. Veste a camisola 6 e é o patrão da equipa. Movimenta-se sempre num raio de acção central, distribuiu as coordenadas do futebol da equipa, surge com frequência a criar linhas de passe e orienta os colegas. Começou por jogar com Janssen, partilhou o espaço depois com Tioté e deu-se muito bem com ambos.
Mais à frente surge Kenneth Perez, o veterano dinamarquês (34 anos) com passagens por AZ Alkmaar, Ajax e PSV. Já não corre muito, mas movimenta-se livre na zona de criação. Joga sempre fácil, toca rápido e serve de referência na construção ofensiva. Com relativa facilidade surge à entrada da área, procurando situações de remate.
Sem Kufo, sobrou Ruiz na frente
Como já se percebeu pelas linhas anteriores, o momento mais forte deste Twente está na criação ofensiva. É uma equipa holandesa, que gosta de ter a bola e gosta de jogar para a frente. No lado direito coloca um extremo baixo, mas rápido (Stoch), no lado oposto coloca aquele que na ausência do goleador Kufo foi esta noite o principal perigo: Ruiz.
Trata-se de um esquerdino alto, não particularmente tecnicista, mas forte, rápido e que aparece com pertinência em zonas de finalização. Natural da Costa Rica, foi contratado esta época ao Gent onde marcou 26 golos em 79 jogos. Tem faro de matador e finaliza com frequência. Promete ser um quebra-cabeças quando contar com Kufo ao lado.
Dois centrais duros de rins no sector mais fraco da equipa
Na frente jogou esta noite Rukavytsya, um australiano que também é reforço, forte fisicamente, mas inconsequente. Por ali parece não haver motivos de preocupação. Talvez por isso dificilmente manterá o lugar quando o melhor marcador voltar da lesão. O principal defeito da equipa, porém, está na defesa: claramente o sector mais fraco.
Sobretudo pelo centro, onde jogam Wisgerhof (holandês) e Douglas (brasileiro) dois centrais claramente duros de rins. São altos e são fortes, mas têm dificuldades com a bola no chão e sobretudo em jogadas de velocidade. Um problema que também se estende ao lateral-direito Stam. Na esquerda, Kuiper é o mais seguro dos quatro.
No cômputo geral o Twente mostrou ser uma equipa arrumada, consistente e bem distribuída no campo. Joga ao ataque, sempre com os olhos na baliza adversária e um futebol muito simples: desmarcação e passe, progredindo em toques rápidos. O ponto fraco está claramente na defesa, sobretudo quando o adversário surge em velocidade. Foi aliás através de transições rápidas, sobretudo pelas faixas, a abrir a defesa holandesa, que o Sp. Braga conseguiu estender o futebol.